Trabalho a um tempo em farmácia, e a cada dia surgem novos produtos para emagrecer no mercado, vários destes são medicamentos controlados. Mas o que me assusta mais é que o número de produtos é milhares de vezes menor do que o de prescrições e de vendas.
A busca pela “beleza” está se tornando tão absurda que as pessoas fazem qualquer coisa para se enquadrar nos padrões. Até que ponto é saudável? O que você faria para emagrecer? Muitas pessoas passam por cima da própria saúde para ficarem mais magras. Têm a ilusão de que a felicidade é inversamente proporcional à circunferência abdominal.
Os mais famosos medicamentos são a Sibutramina, o Femproporex, Orlistat e, o mais novo artifício, Glucoman.
A Sibutramina é inibidora do apetite, é uma anfetamina que também aumenta a atividade cerebral, e em vários casos, causa reações adversas como insônia, agitação, mudanças de humor, depressão, aumento de pressão arterial, dentre outros.
O Femproporex é um anorexígeno que age no eixo hipotalâmico, inibindo a fome. É uma das substâncias que mais sofre abuso no Brasil, além de emagrecer ele também estimula, é capaz de manter a pessoa acordada por várias horas, efeito muito explorado por vestibulandos, caminhoneiros, etc. o Femproporex é capaz de causar dependência, tem praticamente as mesmas reações adversas da Sibutramina, e não deve ser utilizado por mais de 4 meses.
O Orlistat, conhecido como Xenical, é interessante. De todas essas substâncias citadas, é a única que tem reconhecimento científico no tratamento da obesidade. Ele reduz de 5% a 10% da massa corporal em um ano, além de reduzir em 37% a incidência de Diabetes Tipo 2. O Orlistat impede a absorção de 1/3 das gorduras ingeridas. Maravilhoso, né? Se não fosse um porém...esta gordura não absorvida vai para as fezes, que ficam oleosas e por fim, a pessoa acaba com incontinência. Além disso o Orlistat diminui a absorção de vitaminas, causando carências nutricionais que podem se agravar com o tempo de tratamento.
O Glucoman é uma fibra natural que se expande no estômago, dando a impressão de saciedade. Sobre ele não existem muitos estudos e seu uso ainda não tem comprovação científica.
Além destes, há também o Rimonabanto (Acomplia) que ainda não é comercializado no Brasil e não foi aprovado pela ANVISA (sua autorização de 2007, foi suspensa em 2008) e pelo FDA, órgão americano que controla a venda de medicamentos. Outra situação com a qual me deparo diariamente, é a manipulação de 300 drogas em uma mesma fórmula. Numa cápsula tem Femprororex, Sibutramina, Sene, Antidepressivos, chá verde (amarelo, azul , cor-de-rosa...), e sabe-se lá mais o que. Estas fórmulas “milagrosas” são absurdas e põem em risco a saúde de quem toma. Não deveriam ser prescritas nem manipuladas.

Volto a perguntar: até onde você iria para alcançar a magreza? Quais os limites do seu corpo? Vejo crianças usando estes medicamentos, vejo adolescentes tomando suas cápsulas para não serem diferentes do seu grupo, é questão de status, aparência. Vejo mulheres e homens que acham que vão ser felizes tomando remédios, e esquecem de que emagrecer vai muito além. Remédio não faz milagre! Sem reeducação alimentar e exercícios físicos nunca vão emagrecer, muito menos ter saúde.
As pessoas desejam milagre e querem ser magras pra ontem, sem esforço, sem abdicar do refrigerante e da feijoada no domingo (a pizza na segunda, a macarronada na terça...). Fazer musculação? Pra quê se eu posso fazer uma plástica? Além disso, dão a desculpa de que não têm tempo para se exercitar, mas sempre encontram tempo para fazer as coisas das quais gostam. Por que não tornar o exercício físico um prazer?
Outro dia, vi na TV um artista famoso falando “Não sou a favor de ficar magro ou ficar gordo, eu procuro sempre estar em equilíbrio, saúde é o que importa”. Não me lembro quem foi que disse, mas levei vários dias pensando no assunto. Ele tem razão. Ser magérrima e “maravilhosa” é para poucas. A maior parte da população nunca terá um corpo como o das modelos, é fato. E em vez de se contentarem com o corpo que têm, tentam a todo o custo chegar a um corpo fictício, e na verdade só detonam o que possuem. Ser obeso não é bom e nem bonito, mas ser extremamente magra também não é legal.
Por muito tempo, eu vivi em busca da beleza padrão. Comecei a trabalhar com campanhas publicitárias tão nova, que eu nem sabia andar ou falar ainda. Fui modelo fotográfico e de passarela por um tempo. Tive de me aposentar cedo, de largar a minha carreira tão promissora, por exigência dos meus pais. Aos 12 anos de idade fui internada por 2 meses em um hospital, por anorexia e bulimia. Faço tratamento psicológico desde então. Por anos a fio eu lutei contra a minha aparência. Nunca me achei magra, provavelmente não vou achar ainda por um bom tempo. Mas estou aprendendo pouco a pouco lidar com a minha realidade, me aceitar como sou.
Me preocupa muito ver que como eu fui influenciada desde pequena a ser padrão, diversas outras mulheres (e homens) no mundo inteiro são bombardeadas diariamente com a idéia de que a beleza está acima de tudo, inclusive do que você realmente é. Pessoas fazem loucuras por status, mas se esquecem de que tudo na vida acaba, inclusive a beleza e a juventude. Esquecem-se de que depois de tudo isso, o que realmente fica é a personalidade. Eu percebo que muita gente hoje em dia é como um lindo vaso, maravilhoso por fora e vazio por dentro.
Eu aderi à campanha! Se nunca vou conseguir ser a Gisele, pelo menos vou ser uma gordinha saudável e boazuda. Sem me importar com o padrão de magreza, vou trabalhar com o que Deus me deu. Vou cuidar da minha saúde e da minha aparência (Ei! Não to mandando ninguém ficar desleixado, não!), mas lembrando sempre de cultivar uma personalidade que encanta tanto ou mais do que o físico.
Não pretendo mudar o mundo ou a cabeça de vocês. Só quero que reflitam sobre o que realmente é mais importante para vocês: a vida ou a aparência?
Miss Hayworth
Miss Hayworth é estudante de Farmácia e esclarece dúvidas sobre medicamentos, modo de uso e dúvidas relacionadas à saúde.
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