MIOMAS são os tumores benignos mais comuns entre a população feminina. Eles não tem uma “causa específica” para surgirem, mas especula-se que os males da vida moderna, como o tabagismo, o stress e o uso continuado de contraceptivos possa desencadear o processo de formação de miomas. Cerca de um terço da população feminina possui pelo menos um mioma dentro de si, embora em boa parte dos casos eles sejam assintomáticos.

Miomas podem causar sangramentos leves a moderados, constipação abdominal, dores pélvicas e em alguns casos, incontinência urinária. Nem todos os miomas restringem a capacidade reprodutiva da mulher, mas, quando ocorre, geralmente é por causa da distorção uterina que ele causa, pois obstrui as tubas uterinas.
Raramente miomas causam problemas graves durante a gravidez, porém algumas mulheres apresentam sangramento no primeiro trimestre relacionado ao mioma, e conseqüentemente, isso faz aumentar a possibilidade de parto prematuro ou de descolamento prematuro da placenta. Um dos problemas mais comuns que ocorre neste período é a embolização, que é quando o mioma cresce mais do que sua capacidade de receber o fluxo sanguíneo, então o mioma entra em “infarto” (morte do tecido) e isso gera dores bastante intensas.
O tratamento de miomas tem um grande “divisor de águas”: Ser sintomático ou não. Em casos de miomas sintomáticos, não há muito o que fazer, é procurar o médico e começar o tratamento. Mas no caso das mulheres assintomáticas, essa escolha só acontece quando é a hora de pensar em ter um filho, e na dificuldade que o mioma pode trazer. Qualquer que seja a escolha, tratar de imediato ou pensar no tratamento mais conveniente, atualmente já existem algumas opções de tratamento diferenciadas, e segue um pequeno resumo para, quem está pensando no assunto, ter pelo menos um início para procurar saber mais com seu médico.
A MIOMECTOMIA é o tratamento mais conservador e conhecido pelos ginecologistas e obstetras para a retirada de miomas. É a retirada cirúrgica dos miomas com a reconstrução e preservação do útero, e pode ser de três formas:
1) Por Laparotomia, que é uma incisão abdominal (parecida com a cesárea);
2) Por Laparoscopia, onde se fazem pequenos cortes na região e se introduzem cânulas com microcâmeras que vão orientar o profissional durante a cirurgia;
3) Por Vídeo-histeroscopia, onde se realiza um procedimento cirúrgico onde ocorre a retirada do mioma e GERALMENTE ocorre a esterilização da mulher, portanto a mulher deve ter este procedimento muito esclarecido antes de realizá-lo. O procedimento é realizado sob anestesia e em ambiente hospitalar.
A EMBOLIZAÇÃO é um tratamento pouco invasivo, que é a interrupção do fluxo de sangue que alimenta o mioma. É realizado um procedimento de cateterismo da artéria uterina, e nessa artéria são colocadas pequenas esferas que se alojam nas artérias que fazem a nutrição miométrica. Quando o fluxo sanguíneo é interrompido, o mioma começa um processo de degeneração, onde seu volume é reduzido e os problemas que ele traz, como as hemorragias, são sensivelmente diminuídos.
O ExABLATE é o tratamento atualmente mais recomendado para mulheres que ainda desejam engravidar, embora tenha de ser avaliado cuidadosamente. É um tratamento miométrico não-invasivo, onde a ressonância magnética e o ultrassom de alta energia necrosam o tecido miométrico através de calor. A maior restrição desse tratamento é o alto custo, visto que é um procedimento novo e bastante caro, mas tem como principal vantagem um baixo índice de complicações.
Se você, em consulta de rotina descobriu a existência de um ou mais miomas, sendo sintomático ou não, inicie seu tratamento imediatamente. A saúde reprodutiva da mulher brasileira está entre as piores do mundo, pelo simples fato de que 1/3 das mulheres brasileiras NUNCA vão ao ginecologista, e outro terço dessas mulheres, quando descobrem algum problema que demanda um tratamento mais sério, prefere ignorá-lo ou procrastinar o tratamento, o que geralmente acaba levando ao agravamento na maioria dos casos.
Eu falo isso porque quando jovem, era exatamente assim que pensava e agia. Até chegar o momento em que vários miomas desenvolveram-se em meu útero. Estes miomas eram assintomáticos, porém, ao engravidar, a gravidez tornou-se extremamente delicada por diversos fatores, onde o principal deles eram os miomas, que geraram desdobramentos e colocaram a gravidez em risco algumas vezes. Eu tive sorte, pois meu filho nasceu perfeito e sem problemas decorrentes dos miomas. Mas não tive só sorte. Tive também seqüelas, que provavelmente vão piorar minha qualidade de vida com o passar do tempo, portanto, repito: AO PRIMEIRO SINAL DE PROBLEMAS, NÃO DEIXE PASSAR E VÁ PROCURAR TRATAMENTO, que no início geralmente é bem simples.
Luciana Becharat
![]() |
|---|
| Comentários |
|
|
|||||
|
|||||
|
|||||
|
|||||







