
A primeira vez que vi essa palavra, estava numa livraria. Era o título de um livro.
O sub-título dizia: porque adiamos nossas decisões.
A palavra me assusta um pouco até hoje. E convenhamos: é um palavrão estranho mesmo. E o significado é tão assombroso quanto a própria palavra.Ela me lembra bem o tanto que demoro pra decidir-me por algo, ou o quanto prejudico meu progresso tantas vezes pela vida. O mais triste, é que muitas vezes nem me dou conta de que é isso que estou fazendo. Há momentos que as desculpas são tão convincentes que chega mesmo a convencer a outras pessoas que isso ou aquilo não pode ser feito. E assim vou protelando avanços em minha vida.
Lembro-me de que passei cerca de 10 anos para comprar uma caixa de lápis de cor aquarelável.Não que eu seja uma artista. Nem sei desenhar direito. Também não estava com recursos tão parcos que não pudesse comprar uma caixa de lápis de cor. Mas eu queria ter uma caixa de lápis de cor aquarelável. A questão é que sempre arrumava uma desculpa para não comprar no momento em que a oportunidade se apresentou.
Era uma caixa de lápis de cor, simples, mas e os outros tantos aspectos da minha vida? As tantas vezes que encontrei desculpas pra adiar decisões que eram cruciais em minha vida? E acreditem, fiz isso inúmeras vezes. Covardia? Pode ser. Tinha um misto de apatia. E algo muito pior: o medo da empreitada dar certo!
Quem em sã consciência teria de ter sucesso, não é? Quem... Parece que ocorre mais comumente que se imagina. Mas isso é assunto para especialistas e a função aqui não é didática ou terapêutica, é mais filosófica.
Por que protelar o que nos faz bem? Claro, esganar o vizinho quando ele coloca um som alto naquele momento em que você quer dormir, pode entrar na lista de procrastinação. Entretanto, existe uma infinidade de outros aspectos da vida que não devem ser adiados,ninguém deve passar a vida se punindo. E a pergunta que eu deixo é: Punindo de quê?
Imagino que também não preciso lembrar ninguém de não sair comprando todos aqueles sapatos que foram vistos na última estação, tampouco aqueles acessórios para o seu precioso carro se for contrair uma dívida que vai trazer é muita dor de cabeça um pouco se sensatez não faz mal a ninguém. Que tal começar por olhar as listas de promessas de ano novo que faz ano após anos onde a maioria dos itens só é reposta na lista do ano seguinte?
Procrastinação deveria ser incluída na lista de crimes de auto flagelação, como suicídio.
Luciana Rosa
Luciana Rosa é escritora e cronista. Se define um "animal sentimental"; animal como todos nós somos, porém com mais sentimento e com mais a dizer.
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