Cá entre nós, mas Betina não age como o marido,Gustavo?
Na novela viver a vida a Letícia Spiller estava doida para dar uma com o Carlos, o “amigo” da academia. Estava indecisa, pensava no marido, pensava no casamento, pensava na morte da cabrita. Sabia que ele iria embora e seria uma única e nada mais. Imaginem uma mulher que não trabalha e vive do dinheiro do marido. Pensem bem, se ela trabalhasse diuturnamente, talvez, e somente talvez, ela não teria tempo para viver comendo empada na academia e dando trela para marmanjo. Ou melhor ainda, se ele provesse o seu sustento talvez não teria dúvidas. Quiçá ela nem casada com o Gustavo estaria se fosse uma mulher independente.
Vejam bem, como a trama gira em torno da traição. Nós gostamos de traição e as novelas e filmes românticos dão um tom dramático na traição, eles enfeitam o chifre. Deixam a traição com cara de amor proibido e não de safadeza. E muita gente aproveita para levar para a vida real esse tipo de atitude. Muitos distorcem a Bíblia, dizendo que se é amor tudo é divino e não é pecado. Mas a Bíblia é contra o adultério, e mesmo sendo amor inverídico ou verdadeiro, é imoral quando envolve adultério.
Na novela a Betina teve um encontro frustrado com o Carlos. Mas o encontro parecia um evento de filme água com açúcar. Um glamour só. Ela com aquela culpa fajuta, aquele falso respeito, um moralismo abjeto. Ele compreensivo, pareciam Romeu e Julieta e não um casal fazendo sacanagem num motel em plena tarde.
Tudo que na realidade haveria, seria um sexo selvagem e sem culpa, só carne com carne, pele com pele, boca com boca. E o moralismo ficaria na garagem do motel, junto com o carro. Assim como ocorre na vida real. Os motéis têm seu pico de movimento do meio dia as duas da tarde, quando os casais adúlteros tem o intervalo para o almoço e transam. Não ficam com romantismo, nem com moralismo, não pregam a moral de cuecas, literalmente.
E a vida imita a arte, só com um pouco mais de sacanagem.
Roberto Carlos, o moralista de novela de plantão