Muita gente entra aqui no site, pedindo ajuda em diversos problemas de relacionamentos, amor, sexo, e muitas vezes o principal conselho é: converse com o (a) parceiro (a). Aliás, foi tema do artigo do Chef Roberto há algumas semanas.
Mas porque essa conversa se torna tão difícil, porque tanta gente foge e tenta arrumar as coisas na base da tentativa e erro? Não seria muito mais fácil sentar e conversar, com a pessoa com a qual você tem amizade, cumplicidade, intimidade? Um casal não é antes de tudo duas pessoas que resolveram dividir a vida juntos? Ou seja, se existe algum problema de sintonia, seja no sexo ou no relacionamento, não é óbvio que aquele velho ditado “é conversando que a gente se entende” seria o princípio da resolução do problema? Seria, mas não é.

As pessoas têm medo de perder quem amam, ou com quem se dão bem. Na amizade, por exemplo, nem sempre uma amiga é realmente sincera com medo que, por causa de uma roupa que não combina, uma crítica, mesmo que construtiva, possa abalar uma amizade.
Num relacionamento amoroso, quando o sexo não vai bem, ao invés de conversar e ver onde existem os problemas de sintonia, muito ficam achando que conseguem identificar sozinhos, achando que a falta de tesão do companheiro é apenas algo físico, hormonal, de tesão emsmo. E nem sempre é assim.
O medo de perguntar vem pela certeza da resposta: algo não vai bem e vai vir à tona. Nossos defeitos podem vir à tona, nossas atitudes erradas, o medo da crítica naquilo em que não somos bons. E pode ser que a solução seja a separação, dar um tempo, perder quem amamos.
Mas a experiência mostra o contrário. Sem diálogo, não existe solução. A grande maioria dos relacionamentos em que chega um ponto de explosão, ou seja, ao invés de conversar cedo, logo que o problema se mostre presente, se deixa chegar ao ápice, naquela hora em que não existe conversa e sim, discussão, esse relacionamento se vê fadado ao fracasso. Porque vai acumulando mágoa, falta de esperança, desrespeito, e o amor vai definhando.
Gostam muito de dizer que se acabou, não era amor. Amor acaba sim, se não for cuidado. Ninguém é obrigado a amar alguém o resto da vida, se esse amor não se faz presente e íntimo.
A intimidade faz com que possamos nos mostrar por inteiros, que um conheça realmente o outro. E vejo muitas pessoas, e muitos homens, principalmente, que querem arrumar as coisas ao seu modo, seu ouvir a outra parte, no caso, a mulher. Muitos homens pedem conselhos, relatam seus casos, seja no sexo, no amor, no relacionamento amoroso, falando que não conseguem adivinhar o que a parceira tem. Mas aí é que está! Não é adivinhar, é conversar.
Mulheres têm sim a mania de querer que o homem adivinhe tudo que ela sente, porque ela demonstra, muitas vezes, por adivinhações.
Sejamos francos e sinceros, homens e mulheres, numa conversa direta. Por mais difícil que pareça, ou que o medo de não corresponder às expectativas do outro domine na hora H e você fuja da conversa, enfrente. Melhor tentar arrumar logo de cara e mostrar ao outro que está presente, em todos os momentos e disposto a mudar para acertar, do que ficar na base da tentativa e nunca acertar, até não ter mais a pessoa ao seu lado.
Quem se mostra disposto a conversar e resolver o problema, se mostra confiante e capaz de tentar resolvê-lo. E isso é muito importante para a outra pessoa, pois demonstra vontade, respeito, amor.
O ser humano é dotado de fala para se comunicar. E evoluímos a ponto de resolvermos tudo na base da conversa. Não façamos guerras à toa. Vamos conversar mais.
Georgia Maria