A primeira vez que ouvi falar sobre sexo anal foi em um livro: Capitães da Areia, de Jorge Amado. Eu tinha por volta de 12 anos de idade, quando pela primeira vez vi o relato que me chamou tanto a atenção. Quando resolvi reler esta semana, me deparei com o seguinte diálogo:
“- Só boto atrás.
- Não. Não.
- Tu fica virgem igual. Não tem nada.
- Não. Não, que dói.”
Lembrei-me das várias vezes em que ouvi a mesma coisa: Sexo anal dói.
É verdade? Para algumas sim, para outras não. Depende de muitos fatores: de você e do seu corpo, do parceiro, do envolvimento, do clima, do tesão... enfim, de tudo!
Muitas mulheres têm medo dele. Se você NÃO quer fazer de forma alguma, minha sugestão é que NÃO faça. Agora, se você pondera fazer sexo anal, por curiosidade, para tentar agradar ao parceiro, ou em busca de prazer, seja qual motivo for; minha sugestão é que pondere, coloque numa balança os prós e contras. Se decidir que é melhor não, não faça mesmo. Se decidir tentar, articule como e quando e com quem fazer, com calma.
O sexo anal é comparável a um conhecimento, que deve ser aprendido e praticado, a fim de alcançar a perfeição. Não é simples, principalmente no começo. Requer cuidados. Uma atividade que pode ser incomoda no começo e pode se tornar uma forma de prazer inigualável, ou o maior pesadelo de alguém.
Pensando nisso resolvi fazer uma lista de produtos que podem ajudar aqueles que querem começar a prática, sem traumas. Os mais utilizados são os lubrificantes íntimos.
Existem três tipos de lubrificantes: a base de óleo, de água e de silicone.

Os lubrificantes a base de óleo foram retirados de mercado para fins sexuais, por causa de seus efeitos colaterais. São difíceis de limpar e podem entupir os poros da pele, seu uso concomitante com preservativos pode não ser indicado, uma vez que podem causar danos na camisinha. Um exemplo clássico dessa classe são as vaselinas.
Os lubrificantes a base de água, ou hidrossolúveis, são os mais largamente utilizados. Podem ser associados a preservativos. São encontrados em qualquer farmácia, e são mais baratos que os lubrificantes de silicone. Interessante ressaltar que existem variações pelo menos divertidas destes produtos, alguns esquentam, outros refrescam o local onde é aplicado. O mais famoso deles é o KY.
Os lubrificantes a base de silicone são ainda pouco conhecidos. Podem ser utilizados com preservativos e lubrificam por tempo mais prolongado, mas seu uso é contra-indicado juntamente com “brinquedos” feitos de silicone, eles podem derreter!Não são facilmente encontrados no Brasil. Não conheço nenhum produto do tipo para indicar. Se alguém conhecer, me diga!
Existem géis com Xilocaína ou Lidocaína, que são anestésicos. Muitas pessoas utilizam estes produtos, mas não existe nenhuma indicação para a utilização no ato sexual. Pesquisei um pouco sobre estes produtos, e o que eu achei foram casos em que houve alergia, reações adversas ao lubrificante. Ouvi relatos engraçados sobre situações muito constrangedoras envolvendo este tipo de medicamento. Não indico o uso.
Se doer, é porque está machucando! E não faz sentido se ferir para agradar a outra pessoa. Nestes casos eu recomendo pensar mais uma vez, e principalmente refletir sobre as suas prioridades: até que ponto você se anula para agradar o outro?
Há também no mercado produtos que prometem retardar a ejaculação. Eu não conheço sua formulação, então não sei informar se o produto é ou não indicado. Também não conheço casos de pessoas que utilizam ou já utilizaram. Faltam-me referências sobre o gel. Sobre ejaculação precoce eu indico um bom terapeuta, um urologista e o fórum do Sexo e Relacionamentos!
Bom, para quem quer se aventurar a minha dica é: relaxe e divirta-se! Mas com responsabilidade! Não se esqueça da camisinha!
Miss Hayworth