Recentemente li no jornal Zero Hora uma pesquisa feita sobre sexualidade do brasileiro. Nela os dados apontaram para um aumento de 132% em quatro anos, de 4% em 2004 para 9% em 2008, do índice de sexo casual entre os brasileiros. Pesquisou-se, também, o número de parceiros sexuais no período de um ano e uma amostra substancial teve mais de cinco parceiros num período de 12 meses.
Essa pesquisa encomendada pelo ministério da saúde teve por objetivo estudar a rapidez na proliferação de DSTs. Entretanto, se olharmos sob outro ponto de vista se poderá inferir que o sexo casual é um comportamento já consolidado em nossa sociedade. Hoje em dia têm-se mais parceiros casuais que fixos, não há mais tanto comprometimento entre os casais. Essa mesma pesquisa mostrou que o número de casos extraconjugais aumentou, as mulheres estão traindo mais, e que os homens continuam traindo mais que as mulheres, tudo comparado com a pesquisa feita em 2004.
O mundo imediatista em que vivemos, onde tudo é para ontem e não podemos perder tempo nem errar, isso desperta essa ânsia em se relacionar. Ter um parceiro a cada noite ou fim de semana é muito mais fácil e prático que manter um relacionamento. Trocar de parceiro é muito mais simples que discutir uma relação e tentar consertá-la.
O que tenho visto no dia-a-dia são relacionamentos apenas por sexo, uma troca de fluidos e nada mais. As pessoas não querem mais se comprometer, estão mais egoístas quanto aos seus sentimentos. A internet está ajudando para o aumento desses índices, na pesquisa a grande maioria considera normais encontros pela internet, tanto para conhecer pessoas quanto para sexo sem compromisso. Estamos nos isolando uns dos outros e tendo contatos interpessoais mais frios. Todavia, essa prática é realizada inclusive por pessoas casadas, tanto homens quanto mulheres.
A tendência é de um aumento ainda maior dessa prática sexual. A minha opinião é que isso é nocivo para a sociedade como um todo, pois além de aumentar o risco de disseminação de DSTs, temos vários outros fatores intrínsecos a isso como a dissolução do núcleo familiar, a banalização do sexo, quebra de confiança conjugal, entre outros.
Entre as mulheres adeptas desse comportamento, as solteiras, diga-se de passagem, tenho notado certa mágoa com a vida. Na maioria das vezes são mulheres “independentes” e bem sucedidas que apenas querem curtir a vida. Essas mulheres que se intitulam rainhas do sexo e pegam quantos homens quantos querem na verdade são solitárias, pois não compartilham suas vidas com ninguém. Elas não têm com quem comentar que viram um tênis bonito numa vitrine ou compartilhar o que aconteceu no seu dia. Não adianta o ser humano precisa de aconchego, precisa de carinho, de um lar. Com os homens acontece da mesma forma, ficam deslumbrados por esse tipo de vida, querem viver na farra e ter mulheres jovens, mesmo estando já em idade avançada.
A grande realidade, também, está no fato que ninguém mais quer cobranças por parte do companheiro, não querem dar satisfações, não querem se doar. O ser humano de hoje em dia não sabe mais viver a dois, não sabe administrar uma relação.
Portanto minhas crianças, tudo que fizemos tem uma conseqüência, nossos atos nos condenam, se querem uma vida assim pensem se alguém vai respeitá-los no futuro.
Roberto Carlos