Olá a todos. Perdoem-me meu período de ausência, porém eu estava em viagem com minha família.
Para marcar meu retorno aos artigos redigidos, escolhi um tema bastante contundente, que é o sexo anal. Não deveria ser, e darei breve explicação quanto a isso, mas o fato é que o sexo anal tornou-se um tabu para a mulher moderna, que considera degradante, entre outras coisas, e um fetiche para os homens, por justamente encontrarem sucessivas parceiras que não aceitam realizá-lo.
Até a década de 1950, o sexo anal era praticado livremente no país por “moças de família” que tinham desejo sexual tanto quanto atualmente, mas que tinham a obrigação de manter-se virgens para o casamento, como obrigação social. Neste período em que eu era ainda muito jovem e ainda desconhecia o sexo, eu escutava amigas de minhas irmãs, bem mais velhas que eu, comentando sobre as coisas que faziam com seus namorados, e tudo acontecia EXATAMENTE como sempre aconteceu, porém as relações sexuais sempre culminavam com penetrações anais. Como as “moças de sociedade” continuavam casando-se castas para seus maridos, nenhum problema configurava-se então! Tudo seguia muito conveniente a todos.
Mas, na década de 1960, com a publicação de “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir, o movimento feminista tomou corpo e forma no Brasil. O feminismo é conhecido desde o século 19 no país, porém por atos isolados. Com a acessibilidade a este livro, a classe média feminina começou a fazer questionamentos quanto à sua posição nos relacionamentos, inclusive sexualmente. Eu já era uma adolescente na década de 1960, perfeitamente capaz de entender que, na prática, as coisas continuavam as mesmas. Mas a teoria estava mudando. As mulheres tinham um discurso “velado” no estilo “hoje faço, mas amanhã poderei não fazer”. E esse discurso foi sendo passado devagar e calmamente às gerações seguintes de mulheres. As filhas dessas mulheres, 20 anos depois, na década de 1980, se tornariam as feministas de sucesso que lutaram pelos direitos femininos amplos e irrestritos. E que condenou o sexo anal como algo que se fosse algo degradante à mulher.
Várias interpretações errôneas de textos diversos e de filmes da década de 70 e início da década de 80 contribuíram para a construção dessa imagem, como por exemplo, “O Último Tango em Paris”, de 1972/73 e “O Império dos Sentidos”, de 1976/77, ambos mostrando o sexo anal como algo praticado por mulheres pouco dignas ou de forma violenta e degradante.
O que era a “saída” da mulher da década de 1950 como forma de fazer sexo seguro passou a ser a “desgraça” da mulher da década de 1980. E um fator contribuiu ainda mais para isso: aquilo que, nas regras de mercado, chama-se “lei a oferta e da procura”: Como cada vez menos mulheres praticavam o sexo anal, cada vez menos homens sabiam fazê-lo da forma correta, sem causar constrangimento e dor à parceira, e cada vez menos mulheres sentiam-se estimuladas a encorajar seus parceiros a fazê-lo. Um círculo vicioso, que “relegou” de vez o sexo anal à condição de “perversão sexual”.
E ainda há uma agravante na situação: Mulheres de extremo “recato” ainda expunham o sexo anal às suas filhas como algo que não era permitido por Deus, porque não levava à procriação, e que só mulheres “de vida fácil” (leiam-se meretrizes, como eu) faziam aquilo. Porém, se é para falarmos do quanto a prática sexual possa PARECER degradante, existe prática que subjugaria mais a mulher do que realizar o sexo oral em seu parceiro? E, no entanto, não é uma prática comum mesmo entre aquelas que ainda estão conhecendo e se iniciando no sexo?
Sexo anal não é nada demais, mulheres. Não é degradante, como se fez crer. Não é doloroso, se o parceiro tiver paciência para aprender e fazer com calma nas primeiras tentativas. É uma experiência prazerosa que inclusive pode fazer muitas mulheres terem um prazer semelhante ao orgasmo vaginal.

Se fosse tão ruim quanto se prega, será que o homossexualismo masculino se consumaria com isso, como acontece? Ou seriam procuradas outras alternativas pelos homossexuais que lhes desse real prazer?
Deixemos os preconceitos de lado. Em toda a Europa, o sexo anal já deixou de ser considerado como perversão há muito tempo, porque se entendeu que é uma forma de dar prazer ao outro. Então, sejamos maduras, enquanto mulheres, e maduros, enquanto homens, e tentemos entender que é uma forma de prazer que merece ser aprendida e usufruída, como qualquer outra.
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